19 fevereiro 2014

Comix Zone

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Um clássico muito querido por mim e provavelmente pela fanbase "racional" da Sega, que infelizmente não recebeu toda a atenção que merecia, porque foi lançando nos últimos anos de vida do nosso maravilhoso console Mega Drive, consequentemente, poucas pessoas o jogaram. Mas Comix Zone é sem dúvida um íncrivel jogo, digno de botar muitos outros clássicos no chinelo, e grande parte dos modernos de hoje em dia, esse é um dos poucos Beat'em up misturado com Platformer que de fato me impressionou. E tenho que admitir que até me senti conectado com os personagens e talz. O mais interessante está no fato do jogo todo acontecer dentro de uma revista de história em quadrinhos. Isso, não é brincadeira, se você, como eu, adora de coração HQ´s*, vai sem dúvidas gostar do jogo, não que esse seja o único motivo que o faça bom, mas ele tem um charme que ao longo dessa resenha/review vou explicar das melhores formas para que você entenda. O jogo foi muito bem concebido pela Sega, teve direito a relançamentos para Game Boy Advance e também para Windows. Eu nunca tinha jogado ele, já tinha ouvido falar deste jogo em vários lugares, muitos me diziam o quanto ele é bom, outros me diziam que era uma droga e que paravam de jogar logo no começo, e pra ser sincero, eu também pensava desta forma, até então, jogar as primeiras fases, onde meu conceito sobre o jogo mudou completamente, e pude perceber seu verdadeiro potencial. Parece que estou idolatrando muito Comix Zone, mas é sobre isso que irei explicar agora, ok? 
* História em Quadrinhos 


Que tal ser enfiado dentro de uma HQ? 

A história segue com Sketch Turner, um rockeiro jovem que mora em Nova Iorque e trabalha como desenhista. Ele mora com sua ratazana de estimação, Roadskill (Pra que ter um papagaio né? Se você pode ter um bicho que transmite doenças?). Atualmente ele estava trabalhando em uma de suas HQ´s, onde conta-se uma história pós apocalíptica, com um vilão chamado Mortus. Turner, enquanto desenhava em seu buraco de desenhista humilde lar, durante uma tespestade com muita chuva, um relâmpago, não sei porque diabos, atinge sua mesa de desenho, dando vida a Mortus (o vilão), fazendo com que ele saia para o nosso mundo, consequentemente, mandando Turner para dentro de sua própria HQ. Lá, Sketch descobre que Mortus agora vai fazer de tudo para que ele morra lá dentro, desenhando inimigos enquanto assiste o seu criador dentro do próprio trabalho. Então Sketch conhece Alissan Cyan, uma agente que ele mesmo criou, irá ajudar, se comunicando com ele durante o jogo inteiro, auxiliando sempre que possível. Agora, cabe a Turner e Roadskill irem até a última página e derrotar Mortus, porque se eles morrerem lá dentro, Mortus terá um corpo físico real e deixará de ser um desenho preto e branco e assim poderá dominar o mundo inteiro (?). 


Como falar da história, ela é aquela coisa de acerto e erro, mas nada muito ruim ou fora do lugar, só alguns deslizes. A história em si é ótima e muito criativa, só o conceito de entrar dentro de uma HQ é por si só uma ideia muito inteligente, até porque acho que nunca vou ver um jogo em que o protagonista é um desenhista(sem querer me gabar, eu também sou), e essas coisas foram o que mais me fizeram se interessar no jogo. E claro, temos um enredo simples e bom, não é complicado nem nada, o objetivo é único, e não temos um milhão de personagens envolvidos, sem falar que nenhum deles é um inútil que não está fazendo nada para contribuir a história. Sketch Turner é um personagem cativante e engraçado, as vezes é muito idiota, Alissan é até interessante, e Mortus é um bom vilão, ou tenta ser. Porém, eu não gostei por exemplo do fato de um raio atingir o HQ e simplesmente o vilão criar vida, quer dizer, é ilógico, e o jogo nem ao menos explicou isso, e também não explica o porquê de Mortus criar um corpo físico com a morte de Turner. E outra, porque Mortus, sozinho, um ser humano qualquer, conseguiria dominar o mundo inteiro? É meio sem sentido e incoerente as vezes, fazendo a gente se sentir bobo de vez em quando, mas nada muito ruim, a história continua boa, e se segue bem durante o jogo. 

Beat'em Up? Ou você quer dizer Platformer?

O lance desse jogo é que você tem que brigar, e muito, mas ao mesmo tempo, temos muitas, muitas, MUITAS seções de plataforma. Logo de cara, você pode detestar o jogo, porque afinal, destruir coisas com as mãos vai te custar pedaços de sua vida. Sim, isso mesmo, não estou brincando. É, falando desse jeito, até parece que o jogo é impossível de se jogar, mas, é aí que entra o recurso fundamental do ser humano: Paciência. É, parece uma piadinha horrível, mas estou falando sério, vou dar um exemplo de quando joguei. Logo no inicio da segunda fase, nos deparamos com uma porta de ferro, que para passar por ela, precisaríamos destruí-la, ok, mas lembra quando eu disse que para a gente quebras coisas com as mãos, gastaríamos de nossas vidas, pois então, passei e tirei quase metade dela, até que então, na segunda vez que joguei a segunda fase, eu resolvi ir com calma e isso fez toda a diferença, eu usei o Roadskill, e ele tirou do cenário uma bomba, daí foi só usa-la para destruir a porta e pronto, passei sem tirar um décimo de minha vida. Isso foi só uma das partes do jogo onde você precisa utilizar o cenário para passar as fases, e é disso que eu mais gostei no jogo, tudo, tudo, TUDO é uma questão de raciocínio, e é uma coisa que nos jogos de hoje, raramente vemos, e em Comix Zone, ficou muito bem colocado. Única parte ruim, é que algumas seções de plataforma são realmente impossíveis de se passar ileso, mas, nada muito grave e que atrapalhe muito. 


Falando diretamente na jogabilidade do personagem, simplificando tudo, temos um salto que não é muito bom, as vezes é um grande problema, como no segundo boss. Temos o botão de ação, fazendo ele socar e bater nos inimigos, batendo muito você fará combos, dependendo de qual botão do D-pad você esteja segurando, efetuará outros combos. Acima, temos a barra de saúde/sangue/vida. E mais acima temos os nossos itens, e só podemos carregar no máximo três itens, mas provavelmente você só irá segurar dois, porque um espaço você já irá usar para sua ratazana, que é muito útil. Enfim, não que a jogabilidade seja aquela coisa inovadora, mas ela é bem simples e muito boa, a única coisa que não gosto é do salto mesmo, ele é muito difícil de se usar nas piores horas, como por exemplo no segundo boss, onde ele nos joga explosões rasteiras pelos dois lados, e desviar deles é horrível com aqueles saltos incontroláveis, mas não que isso estrague o jogo todo. 

Os inimigos são de fato, irritantes, eles tem esse incrível talento, acredite, você irá perder muito a paciência com eles. Entre os inimigos temos, umas cópias até bonitinhas do Homem de Ferro, uns ninjas, umas minas doidas que usam drogas e que atrapalham muito, uns morcegos que são de fato um problema, uns aliens aqui e ali e por fim os lutadores de kung-fu, eles usam um bastão para lutar, e são quase impossíveis de se derrotar sem perder nada de sangue. Há uns outros inimigos aqui e ali, mas são só algumas exceções. Lembrando que eles aparecem quando o desenhista (Mortus) os desenha, dando um toque até engraçado no jogo, a mão dele aparecia lá do nada e simplesmente desenhava alguém para nos atrapalhar.

Ah, e falando em Mortus, no caso o vilão do jogo, vale lembrar que em Comix Zone não existe um contador de vidas. É, mas isso não significa que ao você perder todo o seu sangue, voltará para o inicio do jogo, talvez aconteça isso se por acaso estiver na primeira fase. Mas o toque mais engraçado, está no fato de quem controla suas vidas, é o Mortus! Isso, e se ele quiser se divertir vendo você sofrer no jogo, ele to botará lá de novo, se você continuar morrendo, uma hora ele fica de saco cheio e te larga de mão e vai dominar o mundo, e isso é um toque incrível! Sério, deixou o jogo completamente mais natural e real, você depende do vilão que te controla literalmente, sem falar que isso até torna as coisas mais perigosas, dependendo de como você joga, simplesmente um BELO toque.

Enfim, até aqui já da para perceber que a jogabilidade é realmente muito boa, ta certo que temos alguns erros e alguns deslizes, mas nenhum deles de fato piorou o jogo, as vezes até passavam despercebidos e no final temos uma ótima jogabilidade, digna de ser chamada de clássico, eu pelo menos me diverti muito e achei incrivelmente melhor que Streets of Rage, em todos os aspectos, falo sério. Única coisa que me deixou incomodado é que o jogo consegue ser muito, muito difícil, e além de tudo, é muito curto e contém apenas três fases com dois atos cada.

Ah, e já ia me esquecendo de dizer que o jogo tem um final ALTERNATIVO, mas como não quero dar spoilers não vou falar muito disso, mas, ele só varia no último boss, e já vou lhe-avisando, temos um final muito triste, e um muito feliz, se no acabar do jogo você prestar bem atenção no que fazer, fará na verdade uma grande diferença pro final dele.

Esses gráficos são de COMICS! 

Eu posso parecer exagerado no que vou dizer agora, mas Comix Zone, é um jogo que concorre fácil a melhores gráficos do Mega. Os gráficos realmente lembram HQ´s, sem falar que são muito bons e bem detalhados, deixando o jogo muito mais vivo. Os fundos são profundos e contém várias paisagens belas. Mas claro, vocês sabem que o jogo é uma HQ certo? Logo, você andará pelos quadrinhos e até saem balõezinhos de Sketch e de todos os outros personagens quando falam. Alguns quadrinhos são bem profundos, porém, há partes do jogo em que entramos em salas e lugares fechados, alguma delas são legais, só outras que deixaram um pouco a desejar. E não temos nada que nos faça cansar a visão nem nada, eu já joguei vários jogos onde as fases são coloridas demais e depois de um tempo, eu ficava com a vista muito cansada, e Comix Zone não faz isso, na verdade, há uma perfeita e equilibrada variedade de cores nos cenários, há partes onde estamos na neve branquinha e de repente estamos dentro de uma sala completamente escura, e isso claro, é uma boa sacada e fez grande diferença. 

As animações são excelentes, sério, foram as melhores animações de Mega Drive que eu já vi, depois de Sonic é claro. Mas as animações são simplesmente perfeitas e bem realísticas, não são aquelas coisas duras e travadas, na verdade, quando joguei pela primeira vez Comix Zone até pensei se por acaso estava jogando um jogo de Snes. Enfim, como já disse, as animações são bem fluídas, naturais e belas. 

Músicas bem Rock anos 90 

As músicas são de fato muito legais, e como eu disse acima, são puro Rock anos 90, o jogo teve até mesmo direito de uma Soundtrack com músicas vocais de estúdio. É, não sei se isso é realmente necessário para um jogo de Mega Drive, até porque o próprio videogame não conseguiria reproduzir tais sons, mas, whatever, a Sega sempre foi boa na composição de músicas para seus jogos, nada mais justo que lançar uma Soundtrack composta por ninguém menos que Howard Drossin, que praticamente vendeu o corpo pro diabo para fazer as músicas do jogo e as músicas vocais, e caso você não reconheceu, esse cara também trabalhou na trilha sonora de uns dos jogos que eu mais amei na vida, Sonic & Knuckles. Mas, esquecendo um pouco esse papo de músicas e vocais, vou falar de uma vez das músicas que tocam no jogo. Enfim, elas são muito belas e realmente fazem o seu papél representando tal ambiente na fase, e de uma maneira estranha, soam como se tivessem saído de dentro de alguma HQ, não sei bem porque estou dizendo isso, porque se eu ouvisse as músicas fora do jogo nem pensaria que sairam de um jogo de HQ´s, mas, de algum jeito, elas ficaram muito boas em Comix Zone e não poderei explicar isso direito, mas apenas entenda que a trilha sonora é de fato muito original, sem falar é claro, que ao mesmo tempo, ela não é repetitiva e nem ejoativa. A música do primeiro ato da primeira fase por exemplo é bem diferente, apenas escute-a. 


Considerações Finais 

Comix Zone é simplesmente um daqueles clássicos que merecem total nostalgia e infelizmente poucos tiveram a chance de conhece-lo. Esse jogo sofreu o mesmo problema de Final Fantasy VI, foram lançados nos últimos anos de vida do console, que causou poucas vendas, sendo assim, quase ninguém jogou. Mesmo não tendo recebido o merecido reconhecimento, Comix Zone é um ótimo jogo e carrega contigo ótimos conceitos, uma jogabilidade incrível, um level design que agrada de fato a muitos, umas das trilhas sonoras mais originais que eu já ouvi, e outras coisas que deixaram só melhor ainda esse clássico da Sega. Ta certo que ele tem alguns errinhos aqui e ali, mas essas coisas acabam passando despercebido e nem interferem tanto no divertimento do jogo, que é algo que dou de fato muito valor. Comix Zone já tem em sim uma história interessante e o conceito de se entrar e viver uma aventura dentro de uma História em Quadrinhos é algo empolgante até nos dias de hoje. Só fico desanimado porque as chances da Sega relançar esse jogo ou fazer um remake/continuação são poucas, já que ela conseguiu estragar outros clássicos como Golden Axe, então as vezes, é melhor nem mexer no que já é bom, Comix Zone só teve no máximo um port para GBA e eu nem joguei ainda, mas parece ser inferior ao original. De qualquer forma, Comix Zone continua para mim um ótimo clássico, capaz de esmagar muitos jogos de hoje em dia, e um dos melhores jogos do Mega Drive. 

Caaaaaaaaara, eu nem terminei de joga-lo direito e já estou jogando de novo!

História:
Sons:
Jogabilidade: 100000000000 
Gráficos:

Prós: 
A história é até legalzinha 
Conceito de jogar dentro de uma HQ muito boa 
Jogabilidade muito bem elaborada 
O level design é incrível 
Caminhos alternativos, Puzzles, e muita pancadaria 
Os personagens são até interessantes 
Finais Alternativos 
O jogo te faz usar muito o cérebro, sério 
De fato, tudo no jogo lembra Comics 
Trilha Sonora muito bem composta  

Contras: 
A história tem alguns plot-holes e deslizes 
O jogo tem alguns momentos entediantes 
Poucas fases 
Pode parecer que não, mas é um jogo bem difícil 

Nota Final: 9.0