18 março 2015

Parasite Eve

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Finalmente estou conseguindo fazer essa review sobre Parasite Eve que eu tinha prometido lá no post do Final Fantasy Tactics. Acontece que eu comecei a jogar esse jogo por conta da minha namorada que me falava muito dele e também por ela ser muito fã. Tá, eu me interessei no jogo, joguei até o fim e agora estou aqui passando minha análise para vocês amigos. Sim, eu sei que eu escrevi aquela postagem sobre Sonic Boom neste meio-tempo, mas, foi só para se encerrar de uma vez tudo que se tinha para discutir em relação à aquele jogo horrível, eu até iria postar essa resenha mês passado. Enfim, o quê importa é que agora eu estou aqui com ela.

Parasite Eve é um clássico da Square, criou um gênero mesclado que iniciou uma tendência entre os jogos, ainda que muitos falam que esse jogo é estilo "Horror Survival" apenas. Mas, ok, o quê aconteceria se misturássemos Resident Evil com Final Fantasy? Se cruzássemos os dois, seu filho seria esse jogo aí em cima, sem dúvidas. Minha impressão ao joga-lo pela primeira vez foi curiosa, nunca tinha visto algo do tipo, misturar Horror Survival com RPG é um lance interessante, algo que muitos chamam de "Cinematic Rpg". Mas, o jogo é bom, não é atoa que o indivíduo é um clássico, afinal, quem diabos chama um jogo ruim de clássico? Além do mais, Parasite Eve foi o sétimo jogo mais vendido no Japão em 1998 e recebeu boas notas em diversos sites, algo que deve ficar no currículo do cara que dirigiu isso. E para quem não sabe, o jogo na verdade é uma história baseada em um livro de terror japonês de mesmo nome, que teve um filme lançado em 1997 (um ano antes do joguinho aí dar as caras). 

Minhas expectativas em relação ao jogo eram muito boas, foi lançado em uma das melhores era da Square, ou melhor, em sua última era de dignidade, a era da Soft. A maioria dos jogos dela nesta época eram sempre bons, tivemos Final Fantasy VII que simplesmente causou incríveis orgasmos em todo mundo, Final Fantasy Tactics que é sem dúvidas um dos melhores RPG's que já existiram, então depois veio o nosso querido Parasite Eve, um jogo com uma nova proposta, com a clara intenção de atrair público novo, porém, ainda agradando os fãs de longa data. Eu realmente admiro muito a Square daquela época por tentar coisas novas, mas, sem largar á essência da jogabilidade que todos gostam. Parasite Eve é um delicioso prato e se puder jogue-o, pode vir me agradecer depois que eu não me importo. 

Eu aprendo mais sobre ciências jogando esse jogo do que indo à escola 


O jogo nos introduz ao enredo em Nova York, durante às vésperas de natal (ou durante ele, não me lembro agora), um concerto de ópera teatral está para acontecer naquela noite no Carnegie Hall. Aya Brea, uma novata do Departamento Policial de Nova Iorque, aparece saindo de uma limousine em frente à sala de espetáculos com seu acompanhante. Assim, ela entra e se senta lá em um lugar no meio da platéia enquanto assistia à peça. A atriz principal é uma mulher chamada Melissa, que estava atuando naquele momento, se preparando para cantar. Ok, porém, no momento em que ela começa, os dois atores no palco, que estavam inocentemente lá só de boas atuando, sofrem uma combustão espontânea... Isso meu amigo, os caras fritaram do nada no meio do palco, sinistro não? E logo depois a coisa fica ainda mais sinistra, porque todos que estão dentro da enorme sala começam a pegar fogo também, um por um. Daí vira aquela bagunça enorme, um querendo sair, o outro pegando fogo, e assim vai. Mas, por algum motivo, Aya é a única que não foi afetada por essa ameaça iminente. 

Então Aya, por ser policial, tem a obrigação de investigar. Ela sobe no palco, onde está Melissa parada observando para a platéia vazia. Então a policial aponta a arma para a atriz exigindo respostas, afinal, todo mundo acabou de ser assado feito frango de padaria, alguma merda estava rolando com certeza. Melissa fica surpreendida por Aya ter sido a única que conseguiu sobreviver, também diz que algo foi desencadeado dentro dela e depois começa a ter uns papo louco sobre células. Então assim, as duas começam a brigar, Aya usando sua pequena arma de fogo e Melissa usa poderes e feitiços. É, pois é... A Melissa tem poderes sobrenaturais inexplicáveis.  Mas ok, logo após, Aya segue a vilã para o subsolo do salão. Vasculhando as salas lá em baixo, ela encontra o diário de Melissa, que lhe trás umas informações reveladoras. Melissa na verdade não era a atriz principal, porém, ela queria esse papel mais que tudo, admitindo que até venderia sua alma para o demônio se fosse preciso. É... Tenso saporra. 

Enfim, Melissa estava tomando um remédio diário, pois, seu corpo esquentava muito e ás vezes ela chegava a perder a consciência. Ela queria tanto o papel principal da ópera que nem se importava em morrer, resolveu até parar de tomar o remédio e evitar o repouso para estar "bem" no dia do show. Logo após, Suzanne, a concorrente para o papel principal, pegou fogo em seu apartamento misteriosamente e Melissa ficou se sentindo culpada. No final das contas, deu para perceber que ela não deveria ter parado de tomar os remédios, certo?  

Depois de ler seu diário, Aya corre para a última sala do subsolo para por um fim nessa bagaça. Porém, antes de chegar, ela se depara com um rato que sofre uma terrível mutação, que o deixa muito maior e sinistro, dentes ficam muito mais afiados, a carne incha e sai para fora da própria pele, a calda se divide em três e enfim, o rato vira uma aberração. Claro que a policial mete uns tiros na cabeça do monstro e ele morre, porém, o que diabos foi isso afinal de contas? De qualquer forma não era o momento de ficar fazendo perguntas, era melhor continuar a perseguição. Então, ao entrar na última sala, Aya se depara com Melissa tocando piano calmamente, quando de repente a vilã começa a discutir com ela mesma. Ela grita algo do tipo "Eu sou Melissa! Não... Eu sou... Eu sou.... EVE!... Meu corpo tá queimado!" e logo após o texto nos apresenta um novo nome para a personagem, ela se chama "Eve". Então Eve fala que finalmente dominou o núcleo de uma vez por todas e de repente ela bate com as mãos no piano e começa a flutuar, enquanto flutua, se transforma numa coisa estranha, seus pés somem e são substituídos por uma casca gigante e medonha, seus cabelos se dividem no ar e endurecem, suas mãos crescem e ficam fantasmagóricas com as unhas gigantemente afiadas. Sim, essa coisa é a definitiva vilã do enredo. E assim as duas lutam novamente e Eve foge... De novo. 

Para quem não entendeu lá em cima no texto, essa coisa aí é Eve 

Não preciso nem falar o quanto essa introdução ao enredo é intrigante e animadora, né? Preciso? Tá bom então, esse início é, sem dúvidas, muito empolgante, tenho certeza que você está com vontade de descobrir o que está para rolar mais para frente nessa história. Afinal, olha só quantos mistérios foram apresentados a nós, por que Aya é imune à misteriosa combustão espontânea? Por que Melissa fez aquilo? O que é e quem é Eve? Por que o rato virou aquela "coisa"? Veja o tanto de questões são apresentadas, é com certeza algo muito empolgante, e fez eu me interessar muito na trama do jogo, que inclusive foi muito bem escrita. De qualquer forma o enredo é surpreendentemente bom, os personagens são carismáticos e o jogo tem uma atmosfera bem sombria e misteriosa, é como se ela estivesse sempre te incentivando a querer continuar jogando para descobrir o quê vem pela frente. Apesar de às vezes ficar um pouco repetitiva. 

Porém, a Aya tem uns momentos meio questionáveis. Como por exemplo em uma parte em que a mesma está em um parque e ao se encontrar com Eve é convidada para dar um passeio em uma carroça puxada à cavalo pela vilã. O mais óbvio e lógico seria recusar é claro, quem é que aceitaria andar em uma carroça não confiável com seu maior inimigo? É, por algum motivo, Aya aceita e acaba sofrendo um acidente. Eu não sei se ela sabia que isso iria acontecer ou se foi imbecilidade mesmo, nunca descobrirei... 
Bom, eu não posso pegar muito pesado com Aya, quero dizer, olha bem para ela, olha para essa cara de ''É melhor você me obedecer seu merda, se não estouro seus miolos", como não gostar de uma personagem com tanta atitude? Claro que não é só o fato de ela ser bonita, gostosa e habilidosa que a faz ser carismática. A personagem vive em um complexo de ser sensível e durona ao mesmo tempo, ela corre para descobrir sobre seu misterioso passado e destruir Eve enquanto enfrenta horríveis mutações animais, mas, da mesma forma ela se priva de ficar perto de seus amigos por se sentir uma ameaça, afinal ela está muito confusa em relação à tudo que está acontecendo, o quê é perfeitamente humano e chega até ser uma atitude bonita. Então sim, Aya é uma personagem muito cativante e eu gosto muito dela por isso.

Outros personagens da trama são carismáticos também. Daniel, o parceiro da Aya, é um negão que serve bem para trazer humor às sérias cenas do jogo (da mesma forma que pode fazer o extremo contrário), é durão e super amigo da protagonista, estando ao lado dela e se arriscando desde o começo do jogo e fazendo de tudo para proteger seu filho, Ben. Esse filho dele na verdade não tem muita importância na história, servindo mais para ser uma motivação aceitável para a participação de Daniel no jogo, eu acho. Por outro lado tem um cientista chamado Maeda, sendo útil para muitas informações que são dadas ao longo do jogo, mas, como personagem ele não é muito "gostável", é só um nerd covarde genérico e eu não consegui sentir nada vindo de seus motivos. Suas cenas são em maioria bem forçadas, o jogo quer que você veja graça em um nerd tímido que só fala gaguejando. Não, eu realmente não consigo ver.

A própria Eve também não é uma vilã completamente incrível, na verdade é só um personagem mal fazendo maldades, pois, seu principal objetivo é acabar com a raça humana e fazer com que o parasita eve domine tudo. É eu sei, é genérico também, mas, Eve é persistente e em alguns momentos chega a dar medo, apesar de ainda ser só mais um vilão que quer dominar o mundo. Mas, os personagens muitas vezes tem seus momentos para demonstrar personalidade e enriquecer o enredo. O próprio Maeda tenta expressar os seus sentimentos pela Aya, mas, por ser virgem (o que é bem provável) não consegue. Acho que esse foi o único momento em que eu gostei um pouco de Maeda, já pelo resto dos momentos em que ele aparece... Meh.

Ah, também tem um suposto segundo vilão chamado Hans Klamp, que é mais um daqueles gênios malignos que trazem o mal maior em nome da ciência e muitas vezes preferem morrer pelo vilão do que serem mortos por outro motivo aleatório. Sim, ele é um cara com uns parafusos à menos. Trabalha no Museu da História Natural, estuda e idolatra o parasita Eve como se ela fosse sua "criação", se você falar em mitocôndria é capaz dele ter um orgasmo. Tem até uma cena em que ele fica completamente focado em seu trabalho e ignora Aya e Daniel, enquanto eles ficam se perguntando o quê caralhos é esse cientista sinistro. Mas, Klamp tem uma suposta ligação com a origem do enredo e com a própria Aya, certo é que após a conversa no museu a protagonista diz que Klamp lhe parecia familiar.

Porém, eu fiquei um pouco decepcionado com o ritmo da história por ela ser uma perseguição atrás da vilã do começo ao fim. É sempre assim, vamos atrás da Eve, ela tenta fazer alguma coisa, a gente tenta para-la, ela consegue escapar, vamos de novo atrás da Eve, e assim vai. Ok, o enredo não tem ao exato um ritmo muito animador, mas, a trama ainda trás um suspense empolgante. Com o andar da história a cada capítulo é apresentado informações bem reveladoras que explicam o passado da protagonista e a origem da história, o quê trouxe o parasita e qual é a ligação entre os eles e porque essa bagunça toda esta acontecendo. Então sim, o jogo tem uma boa narrativa, não é como se fosse ter algum plot-hole muito grande, afinal, o quê se pode esperar de um jogo baseado em um livro e filme? Há até momento confusos em que Aya enxerga uma garotinha de roupa azul que aparece constantemente, essa é uma das coisas mais intrigantes no jogo, mas, que liga todos os pontos da história no final.

Ok, Parasite Eve tem um ótimo enredo, com personagens bem carismáticos e outros nem tanto, com uma ótima narrativa que trás suspense e uma trama bem escrita.
Oh! Nice graphics! 


Depois dos modelos quadradões de Final Fantasy VII e dos personagens spriteados de Final Fantasy Tactics, as modelos e animações dos personagens de Parasite Eve conseguem explorar ainda mais as capacidades do Playstation 1. Aya flui perfeitamente em seus movimentos, assim como quase todos os personagens deste jogo, mesmo alguns tendo algumas animações meio robotizadas em certos momentos. Com exceção à Maeda, o jeito que ele anda é... Estranho, é como se os pés dele estivessem dando rápidos paços, mas, ele continua indo super devagar feito uma lesma, sei lá, aquilo é muito estranho mesmo. Mas, fora o Maeda, todas as animações são boas e bem fluídas. Os gráficos dos personagens também são bem melhores em comparação com FFVII, que pareciam legos mal pintados, Parasite Eve é mais realista, não é nada lindo ou maravilhoso de se ver, mas, ainda são gráficos decentes. Os cenários também são muito bem desenhados e detalhados, não utilizam muitos modelos tridimensionais, a maioria são apenas imagens no fundo de tela, gostei disso, é bonito e deixa o jogo mais leve, eu acho. O jogo também tem uma atmosfera bem própria, juntando com as lindas CGs fica uma maravilha. 

Você disse... Mitocôndria?  


Como eu já disse, isso aqui é um Action RPG misturado com Horror Survival. Tá bom, eu admito, Parasite Eve é mesmo um suco tuti-fruti. O jogo acompanha a protagonista Aya Brea pelos cenários através de uma câmera que se posiciona em algum lugar estratégico do cenário de forma que você possa ver tudo direitinho. Como vocês podem ver na imagem acima, a câmera está posicionada em uma parte inferior do cenário para podermos ver todo o corredor e o espaço que podemos explorar. Em nenhum momento durante o jogo eu tive algum problema com a câmera, os cenários são bem arquitetados e desafiam o jogador à explorá-los à todo momento. Então sim, Parasite Eve tem uma boa exploração e os cenários e câmera contribuem perfeitamente para isso. 

A exploração também recompensa bem, os itens são úteis em sua maioria, porém, me incomodava muito o espaço de estoque dos itens. Não, falo sério, aquilo é um saco, você ganha alguns poucos itens e seu estoque já lota tudo, e ele só ganha mais espaço quando você passa de nível. Isso por que você só aumenta espaço para mais um iten à cada level que sobe. É de fato irritante ter que ficar jogando item fora para poder pegar outro, ainda mais quando você não sabe se vale a pena fazer isso. Pois é, eu fiquei o jogo todo jogando itens de cura e outros fora para poder pegar outros aleatórios itens. E pra piorar ainda mais, o inútil do Maeda fica dando uns amuletos da sorte o tempo todo, e essas bostas eram key itens e não podiam ser jogadas fora! O que é mais chato que ter uma key item inútil que não servirá para nada além de ficar ocupando espaço no seu estoque? É, eu não sei... 

Mas, como eu estava falando, a exploração é decente, os itens são guardados geralmente em baús que estão bem espalhados pelo cenário. Há algumas salas secretas também que são bem difíceis de serem vistas, muitas vezes estão à frente de um corredor escondido por uma parede falsa ou algo do tipo. Algumas dessas salas tem também uns cantos com itens bem escondidos. Ou seja, é um item escondido em uma sala escondida. Eu sei, isso é legal. Alguns itens às vezes são escondidos no próprio cenário, como é o caso de gavetas e armários que tem portas que podem ser abertas. Tá eu admito, passei boa parte do jogo explorando, e não é como se isso fosse algo ruim, um dos maiores focos de um RPG é recompensar aqueles que exploram bem, certo? De qualquer forma Parasite Eve executa muito bem essa ideia de um jeito ou de outro.

Pode-se equipar apenas dois tipos de itens em Aya, uma arma e um colete. O colete tem três atributos básicos: DEFENSE (Resistência contra ataques físicos), PENERGY (Resistência contra ataques mágicos) e CRITICAL (Resistência contra ataques críticos ou muito fortes). A arma pode variar desde cassetete como arma de fogo (metralhadoras, espingardas, bazucas, etc), que tem outros três atributos semelhantes: ATTACK (Força e poder do ataque), RANGE (Distância do tiro) e BULLETS (Capacidade máxima de balas carregáveis). É possível colocar uma ou mais habilidades especiais na arma ou no colete, como por exemplo atirar três vezes por turno ou recarregar o HP com uma potion quando a situação ficar crítica. 

Evoluir a arma e o colete é uma dos elementos mais legais no jogo, visto que isso não era muito comum em RPGs nesta época. O jogo te dá a chance de criar o equipamento perfeito, visto que é possível usar o item "Tool" que serve para trocar os parâmetros entre armas e coletes. Você tem uma arma que tem um ótimo range, mas, atira apenas uma vez turno, por outro lado tem uma arma que tem um range bem baixo, porém, atira cinco vezes por turno. Com o item Tool você pode passar o adicional da range de uma arma para outra, ou a habilidade de atirar cinco vezes por turno, lembrando que será perdida a arma que você retirou o atributo/habilidade. Tá, é triste perder um equipamento, mas, é animador evolui-los. Um dos diferenciais deste jogo para outros RPGs foi o domínio completo da evolução de equipamentos e a possibilidade de alterá-los. 

Claro que você não pode fazer isso a hora que quiser, tem que achar o item "Tool" logicamente. De alguma forma ou de outra isso tem que ser dificultado. 


Por ser um Action RPG, logicamente as batalhas acontecem em tempo real. Mas, não confundam com Kingdom Hearts, há muitos elementos de RPG tradicional nesta mecânica do sistema de batalha. Um deles é o famoso ATB (Active Time Battle), uma barra de tempo que ao se completar você terá permissão para executar uma ação, seja ela atacar ou usar um item. Uns dos atributos evolutivos de Aya é justamente o ATB, podendo ser muito mais rápido dependendo de como você o melhora. Em cada batalha podem ter mais de três ou quatro inimigos, eu não vou me lembrar o número exato agora. Ao apertar o botão de ataque, a batalha pausa e você pode escolher calmamente qual serão os alvos. E logo após Aya atira... Parada. É, não tem como se mover enquanto ataca, algo que realmente eu acho que podia ter sido melhorado, mas ok... 

É meio óbvio dizer que cada inimigo utiliza uma técnica diferente, mesmo que alguns são bem genéricos e apenas atacam fisicamente ao chegar perto. Mas, há das mais variadas habilidades que os inimigos utilizam, os morcegos atacam você com uma técnica sônica que deixa a range baixa, as toupeiras cavam, os ratos atiram fogo, as cobras tem grandes chances de te envenenar, etc. 

Uma das melhores ideias aplicadas nesta mecânica foram os inimigos que tem mais de um alvo no corpo. Como no caso do primeiro boss, um Crocodilo Mutante que tem dois alvos, a calda e o corpo em sí. Claro, eu sei que parece inútil atirar na calda, mas, você precisa destruí-la primeiro e depois meter bala no próprio mostro. Isso é interessante porque aguça mais o sentido estratégico, mesmo não fazendo muito sentido, mas ok né? Outros bosses também se utilizam deste conceito, como é o caso de Shiva, um cão de três cabeças que só é derrotado ao perde-las uma por uma. 

Falando em bosses... Tem um que merece muito um destaque nessa resenha. Na parte lá do Zoológico, há um momento em que temos que enfrentar umas pirocas minhocas gigantes que aparecem e depois somem cavando na terra. Lógico, quando aparecerem você atira, mas toma cuidado para nenhuma delas atirarem em você ou mesmo surgirem por baixo. Tipo o boss da segunda dungeon em Zelda: A Link to the Past. Porém, em Parasite Eve, as minhocas vão crescendo cada vez mais a cada uma que vai morrendo, ao chegar na última delas, ela fica incrivelmente grande. É uma forma interessante de batalha contra boss e eu juro que foi um dos que mais me impressionaram. 

Percebem como dentro do sistema de batalha ainda há um certo "core" envolvido fortemente com os aspectos de um simples RPG em turnos? É um Action RPG impressionante e que envelheceu muito bem se querem saber. Fico me perguntando por que picas não fazem mais jogos assim. 

As batalhas ocorrem quando pisamos ou atravessamos um certo ponto do cenário que serve mais como gatilho para iniciar a briga. Quando passamos por ele a tela de fundo fica cinza e a Aya se posiciona em um local para começar a batalha. Algo que me deixou realmente irritado foi o fato do jogo colocar esses triggers que iniciam uma batalha logo no limite dos cenários, e pra piorar, quando a tela fica cinza a Aya volta tudo que você acabou de andar só para iniciar a luta. Quero dizer, era comum eu estar quase chegando no limite do cenário para poder passar pra outro, quando de repente do nada eu era obrigado a voltar o percurso. Juro que uma vez isso aconteceu comigo e o jogo ainda me pôs no meio de duas cobras. Não, sério mesmo caras? Não tinha uma posição mais adequada, não? 

O jogo também é meio linear, mas, não se pode esperar outra coisa quando se é um jogo baseado em um livro. Você não tem liberdade para explorar tudo, a não ser lugares que você já passou, e o jogo não tem Open-World, apenas locais de Nova York em que vocês escolhe aonde ir. Enquanto eu jogava, apenas um local alternativo na cidade foi liberado para visitar. O jogo poderia compensar a linearidade com coisas assim. Mas, estou ok mesmo assim, afinal isso é um Cinematic RPG, não se pode esperar muito. 

Eae, cê curte ópera? 


Logo na música de abertura dá pra notar o clima tenso, assim como o resto das músicas deste jogo. Fala sério, metade das músicas desta trilha sonora parece que saíram de um filme de terror misturado com ação... Duh? Mas, é isso mesmo, a trilha mistura muitos gêneros e hits diferentes para formarem as melodias do jogo, vai desde rock, música pop, música clássica, etc. Algumas músicas também são de ópera, como por exemplo a "Se Il mio amore sta vincino", tocada logo no começo do jogo e é simplesmente uma das músicas mais lindas dele(Que por algum motivo é tocada em um momento perturbador, mas ok). Há algumas músicas de suspense tocadas no piano que ficaram ótimas, assim como as músicas quando indicam ação nos momentos tensos que parecem algo mais puxado para a música pop e também as músicas medonhas de terror que ficaram sensacionais. 

De qualquer forma isso é uma mistura de gêneros simples que se encaixaram perfeitamente com a atmosfera do jogo. Eu particularmente gostei muito das músicas tocadas durante a minha jogabilidade e a forma como elas foram aplicadas a cada momento. E sim, são bem compostas, da mesma forma que são bem produzidas, tudo saiu ok, mas, nada que seja completamente incrível, a não ser que você curta ópera, já que foi o gênero mais inspirado por aqui. 

Considerações Finais 


Parasite Eve é sem dúvidas um dos melhores jogos do Playstation 1, o perfeito cruzamento entre Horror Survival, RPG e Hollywood. Eu me sinto ótimo por ter jogado esse jogo, é sério, provavelmente vou jogá-lo de novo, mesmo sabendo que ele tem um certo peso de erros e outras coisas. Ok, o jogo com certeza não é perfeito e tem alguns defeitos que incomodam, mas, no geral temos ótimas propostas. 

Jogo feito pelos mesmo criadores de Final Fantasy, contando com o próprio Hironobu Sakaguchi, Parasite Eve tenta ao máximo ser um novo gênero de jogo, o quê a Square chama de Cinematic RPG. Apesar da descarada e clara referência à RPGs e Horror Survivals, o jogo tem uma identidade própria e carismática. Há de tudo que eu gosto em um bom jogo do gênero, história clara, excitante, personagens carismáticos, jogabilidade com uma mecânica simples e bem programada, gráficos aceitáveis e trilha sonora muito bem produzida. Como não amar um jogo desses? Com certeza eu vou aconselha-lo para todos que eu ver por aí, nada mais justo do que isso. 

Tem uma sequencia para o Playstation 1 que é Parasite Eve II e com certeza eu vou jogá-lo, mas, eu não esperaria tanto se fosse vocês. Existe também o The 3º Birthday, que é a coisa mais tosca que já existiu e f*deu completamente com a série... É, Square, mandou bem acabando com mais uma franquia de sucesso. Mas, de qualquer forma o que importa é que o primeiro jogo desta série é um clássico e deve ser jogado por todos. 

História:
Sons:
Jogabilidade:
Gráficos:

Prós: 
Narrativa digna de qualquer coisa 
Gráficos e CGs maravilhosos 
Mecânica única de batalha 
Exploração deliciosa 
É legal evoluir armas e coletes 
Alguns bosses são, simplesmente, únicos 

Contras: 
De certa forma é um jogo linear 
Não, não gosto do Maeda 
Dava pra carregar mais itens, né?

 Nota Final: 8.6 

Agora se me derem licença, já estou jogando novamente Pokémon Yellow e sim, vou fazer uma nova review. Convenhamos, a review deste jogo que está aqui no blog é um Sonic Boom... 

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